Há linhas que têm pouco a ver com ideologia no sentido clássico. Não creio que, no cerne, tenham a ver com partidos, ou género, ou classe social. A mais fundamental dessas linhas morais, creio, é entre gente decente e canalhas.
Isto não é um confronto primariamente entre valores progressivos e conservadores, direita e esquerda, populismo e elitismo, ricos e pobres. Não - isto é um confronto entre gente decente e gente moralmente deficitária. Entre gente que entende valores de humanidade, solidariedade, urbanidade, democracia - e quem usa o privilégio e o lugar de fala para mostrar com gáudio a sua pequenez ética e a sua falta de formação.
Devo dizer que admiro muito a grandeza de quem não responde a isto senão com valores cívicos, com resistência pacífica, com paciência pedagógica, com solidariedade, com dignidade e persistência. Devo dizer que não me lembro na últimas duas décadas de me sentir tão orgulhoso de ser português, tão orgulhoso dos meus concidadãos.
As credenciais democráticas da extrema-direita