🔴 Hoje, Pedro Passos Coelho dá uma entrevista à Maria João Avillez, na SIC Notícias (21h/22h)
Em modo preparação, convém recordar algumas coisitas. Sobretudo para os mais cachopos, que cresceram a ouvir contar a história do terrível Passos Coelho, o monstro da austeridade que, segundo a mitologia canhota tuga, acordava todas as manhãs especialmente cedo para encontrar novas maneiras de infernizar a vida aos portugueses.
➡️➡️Quando Passos chegou ao Governo, em 2011, Portugal já tinha pedido ajuda externa. Não foi ele quem chamou a troika. Encontrou-a à porta, de malas feitas, com uma fatura de 78 mil milhões de euros e um programa de ajustamento negociado antes dele assumir funções. Ainda é algum dinheiro, devo dizer-vos.
O país tinha vivido durante anos acima das suas possibilidades, alimentado a crédito, com uma economia demasiado dependente do consumo interno e um Estado que confundia despesa pública com criação de riqueza.
Passos percebeu uma coisa elementar, mas aparentemente revolucionária para uma parte considerável da inteligência política nacional. Se um país não produz muitos dos bens que consome, tem de encontrar maneira de vender ao estrangeiro o suficiente para os pagar.
Chama-se exportar. Não é nenhuma obsessão neoliberal. É aritmética simples. Bom, eu sei, aritmética simples parece simples, mas para alguns, é ginástica acrobática....
Bom, adiante. Foi precisamente durante a governação Passista que se deu uma das transformações económicas mais importantes na nossa economia. As exportações ganharam peso na economia portuguesa, passando de cerca de um terço do PIB, em 2011, para perto de 40 por cento, no final da legislatura em 2015. Incluindo o turismo.
⚠️Esse mesmo turismo que hoje parece reproduzir-se por geração espontânea, que enche Lisboa de malas com rodinhas, transforma o Porto numa Babel de sotaques e faz com que encontrar um português na baixa seja uma espécie dde experiência etnográfica.
Pois bem, durante o Governo de Passos Coelho, o turismo recebeu também um impulso estratégico importante, cresceu e reforçou o seu contributo para as contas externas. Hoje podemos discutir os excessos, a pressão sobre a habitação e a transformação dos centros históricos em parques temáticos. Mas seria intelectualmente desonesto esquecer quem também ajudou a preparar o terreno para esse crescimento.
⚠️Depois temos as privatizações.
Ah, as privatizações que tanto afligem a esquerdalhada! O grande pecado original do passismo. Vendeu-se património nacional ao desbarato, dizem os indignados, muitos dos quais parecem convencidos de que o Estado deveria ter guardado tudo numa arrecadação, à espera de dias melhores.
Evidentemente, vender património em situação de aperto financeiro não é a melhor maneira de conseguir o preço mais elevado. Algumas operações são discutíveis e merecem escrutínio.
Mas camaradas, Portugal estava com a corda na garganta.
As privatizações permitiram encaixar milhares de milhões de euros, amortizar dívida pública e reduzir necessidades de financiamento e encargos futuros com juros. Não foi uma operação lá muito celestial, nem significa que todos os negócios tenham sido bons. Significa que uma venda feita em circunstâncias difíceis pode ter um benefício financeiro real, mesmo quando o preço não é aquele que gostaríamos de obter.
Claro que teria sido preferível vender mais caro. Também teria sido preferível não precisar de vender. E, já agora, teria sido extraordinário que os governos anteriores tivessem deixado algum dinheiro na caixa. Mas não deixaram.
⚠️Agora chegamos à parte verdadeiramente deliciosa desta história. A esquerda portuguesa construiu uma narrativa em que Passos Coelho foi responsável por todos os males do país, incluindo os que existiam antes de ele chegar e alguns que provavelmente ainda estavam por inventar.
Os funcionários públicos nunca lhe perdoaram os cortes. Compreendo. Foram dolorosos, tiveram consequências e é perfeitamente legítimo criticá-los. Mas há uma pergunta que raramente entra na conversa.
➡️Qual era exatamente a alternativa, quando o Estado já não conseguia financiar-se normalmente?
Talvez preferissem correr o risco de deixar de receber salários. Ou que os pensionistas descobrissem, numa bela manhã de sexta-feira, que a pensão não caiu como de costume.
Poderíamos, naturalmente, ter recusado o ajustamento e continuado a gastar. Faltava apenas encontrar quem emprestasse o dinheiro.
Ou sair do euro, não pagar como sugeriu o nosso playboy socialista do norte, regressar ao saudoso escudo e inaugurar uma nova idade de ouro da tipografia nacional. Imprimíamos moeda até à exaustão e depois descobríamos, com enorme surpresa, que a impressora fabrica notas, mas não fabrica riqueza, como os venezuelanos tão bem sabem.
O que não se pode é confundir o bombeiro com o incendiário só porque foi o bombeiro quem apareceu nas fotografias, coberto de fuligem, a partir portas para tentar salvar a casa.
Em 2014, Portugal terminou o programa de assistência financeira e regressou ao financiamento de mercado sem um programa cautelar. Não saiu rico, nem particularmente feliz. Mas recuperou margem de decisão e começou a libertar-se da tutela direta dos credores.
Foi uma conquista à qual damos pouco valor.
A esquerda tem uma extraordinária capacidade para fabricar mitos. Consegue transformar quem recebe um país financeiramente de rastos no culpado pela sua ruína e apresentar quem promete distribuir dinheiro como o grande salvador da pátria. O primeiro fica com as cicatrizes. O segundo fica com as inaugurações.
Na minha leitura, Pedro Passos Coelho foi o político mais relevante deste século em Portugal. Não por ser infalível, mas por ter governado quando a margem para a fantasia era nenhuma, por ter assumido decisões impopulares e por ter contribuído para uma mudança de orientação económica cujos efeitos ultrapassaram em muito o seu Governo.
⚠️É fácil ser generoso quando há dinheiro. É ainda mais fácil ser generoso com o dinheiro dos outros. Portugal habituou-se a aplaudir quem promete pagar a festa e a detestar quem aparece com a conta.
Tenho dito.
o dono da cooperativa
Nota: aproveitem para contemplar algumas das caras do PSD que vão aparecendo no vídeo...
🎵 PASSOS, VAI EM FRENTE! 🎵
🎶 TENS AQUI A TUA GENTE! 🎶