Há 53 anos, em 6 de outubro de 1973, começava a Guerra de Yom Kippur.
No dia mais sagrado do calendário judaico, Egito e Síria lançaram um ataque coordenado contra Israel, no Sinai e nas Colinas de Golã. Desde a vitória de 1967, os serviços de inteligência israelenses haviam desenvolvido a convicção de que os vizinhos árabes não ousariam iniciar uma nova guerra. Essa certeza desmoronou nas primeiras horas do conflito.
Israel conseguiu conter a ofensiva e, quando o cessar-fogo entrou em vigor, suas tropas já haviam atravessado o Canal de Suez e estavam a cerca de 40 quilômetros de Damasco. A vitória militar, porém, teve um custo altíssimo. Mais de 2.600 soldados israelenses morreram, milhares ficaram feridos e a confiança da sociedade em seus dirigentes foi profundamente abalada.
Golda Meir renunciou em 1974, sob forte pressão pública, e Moshe Dayan deixou o Ministério da Defesa. O desgaste do campo trabalhista, que governava Israel desde a independência, ajudou a abrir caminho para a vitória do Likud de Menachem Begin em 1977.
Paradoxalmente, a mesma guerra também abriu caminho para a paz. Ao recuperar parte do prestígio perdido em 1967, o Egito ganhou margem política para negociar. Vieram os acordos de separação de forças, a visita de Anwar Sadat a Jerusalém, em 1977, e, em 1979, o primeiro tratado de paz entre Israel e um país árabe.
Para os israelenses, 1973 deixou uma lição duradoura. Força militar não basta quando a leitura das ameaças falha, e nenhuma vitória anterior garante a segurança do dia seguinte. Meio século depois, o 7 de outubro de 2023 trouxe essa lição de volta de forma dolorosa.