O comunicado de imprensa dos meus advogados, Francisco Teixeira da Mota, Luísa Teixeira da Mota, William Bourdon e Vincent Brengarth, relativamente às acções vergonhosas tomadas contra mim pelo Estado português na quarta-feira:
COMUNICADO DE IMPRENSA
Lisboa e Paris, 2 de outubro de 2026
Fim da proteção de Rui Pinto: os seus advogados apelam às autoridades portuguesas para que reconsiderem uma decisão com consequências gravíssimas
Rui Pinto, o denunciante que esteve na origem do Football Leaks, foi notificado, na passada quarta-feira, de que o programa especial de segurança de que beneficia desde agosto de 2020 terminará no próximo dia 10 de outubro. Dentro de poucos dias, sem ter sido previamente ouvido, como a lei exige, perderá a residência protegida e confidencial que lhe foi atribuída e será obrigado a encontrar, com urgência, uma nova habitação, sem qualquer garantia de que a proteção policial se mantenha.
A sua situação é agora crítica. As ameaças de que é alvo não são meramente teóricas: em abril passado, foi agredido em Lisboa. As suas revelações envolveram figuras poderosas e dotadas de vastos recursos, e muitos dos processos judiciais delas decorrentes continuam ainda em curso, como demonstra a decisão proferida há apenas alguns dias pela comissão independente da Premier League relativamente ao Manchester City. Privado abruptamente da sua residência protegida e colocado numa situação de extrema precariedade, Rui Pinto ficará agora mais vulnerável do que em qualquer outro momento desde 2020.
Rui Pinto cooperou com a justiça portuguesa, e foi precisamente essa cooperação que justificou a sua integração num programa de proteção. As suas revelações, utilizadas por numerosas autoridades judiciais, fiscais e desportivas em toda a Europa, a começar por França, contribuíram para reforçar a transparência e a integridade no futebol. Os Estados que beneficiaram da sua atuação não podem simplesmente virar as costas à pessoa que assumiu os riscos necessários para trazer estes factos à luz do dia.
Nos termos da lei, será interposto recurso administrativo desta decisão, com efeito suspensivo. Os advogados de Rui Pinto, confiando em que as autoridades portuguesas dariam a devida consideração à sua situação, solicitaram, na passada quarta-feira, ao Ministério da Justiça que reconsiderasse esta decisão, que divulgasse os elementos da reavaliação do risco em que a mesma se baseou, que o seu constituinte fosse ouvido e que garantisse, em qualquer caso, a continuidade da sua proteção. Até ao momento, não foi recebida qualquer resposta.
Esta decisão e a forma como foi tomada, não respeita, lamentavelmente, o Estado de Direito e constitui um ato de terrorismo de Estado. Não podemos aceitá-lo.
Francisco Teixeira da Mota
Luisa Teixeira da Mota
William Bourdon
Vincent Brengarth