O fim do Mundo antigo será igualmente o começo de um Mundo novo — René Guénon, A Crise do Mundo Moderno

Natal, Brazil
O Kali Yuga é um fato.
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Genesis 1:24 #collageart #collage
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Só o Brasil importa.
Primeiro passo para qualquer coisa séria em política cultural brasileira: abandonar TUDO que vem da Alt-Right americana. Tudo. Não citar esses caras, não usá-los como referência, não dar nenhuma corda. São lixo puro, racistas, doentes e totalmente alienígenas ao nosso país.
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Chapada dos Guimarães, MT | 🇧🇷
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Replying to @andreAu96287446
Surfando no Kali Yuga
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Quatro grandes nomes da música sacra contemporânea: Patrick Cassidy, Arvo Pärt, Jordi Savall e Marco Frisina. Escutem suas obras, são verdadeiras extensões do Evangelho.
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Carlos Drummond de Andrade
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Marcamos presença na casa do mestre.
De hoje no Instituto Câmara Cascudo Devo muito ao Câmara.
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O bom escritor pode fazer da crônica arte. Pelo menos aqui no Brasil, onde o gênero se consagrou e ampliou, nos bastidores do jornalismo, a qualidade da nossa literatura. Mas a muito custo. Basta lembrar o ensaio antológico de Antônio Cândido "A vida ao rés do chão".
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Aos gregos e troianos que porventura estranhem ou queiram entender um pouco mais da literatura de Clarice Lispector, recomendo o livro de Benedito Nunes: "O Drama da Linguagem". Obra espetacular.
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Esse trecho da República é muito bom. Logo depois (ainda no livro II) Platão avança para uma crítica ao próprio modo como os gregos concebiam os deuses, apontando os "erros" presentes na teologia da época, e tem muito a ver com um papo que estava tendo com o @lcvalente13 hoje pela manhã. A crítica em questão se organiza em dois modelos, e ambos nascem da mesma convicção: o divino é bom, e tudo o que se diz dele precisa refletir essa bondade (379a-380c). O primeiro modelo ataca a ideia de que os deuses causariam bem e mal indistintamente. Platão, através de Sócrates, rejeita a imagem dos dois jarros de Zeus, o dos bens e o dos males, distribuídos aos mortais por capricho (referência direta a Ilíada, XXIV, 527-528, citada por Platão em 379d). Se o deus é bom, só pode ser causa dos bens. Os males têm outra origem, e atribuí-los aos deuses é blasfêmia disfarçada de piedade (ao meu ver isso aqui já é o embrião do argumento agostiniano de que o mal não existe, mas isso é outro papo). Dito isso, daí se tira uma consequência pedagógica direta: os poetas ficam proibidos de narrar castigos injustos ou desgraças imerecidas atribuídas aos deuses (380b-c), já que de deus não se pode extrair maldade. A teologia funciona como filtro moral da poesia. O segundo modelo ataca a mutabilidade e o engano (380d-383c). Platão nega que os deuses mudem de forma, como Proteu, ou se disfarcem para enganar os mortais, algo comum em Homero e Hesíodo (381d). O argumento é bem "teológico" mesmo: o perfeito não precisa mudar, porque toda mudança seria para pior (380e-381b). E o deus não mente, porque a mentira é recurso de quem é fraco ou tem algo a temer (382e). Nada disso pode se aplicar ao divino, pq se não seria uma contradição de termos. Mas, faço um disclaimer: apesar disso tudo Platão não está investigando ali a natureza real dos deuses, no sentido de uma teologia especulativa. Isso acaba acontecendo de modo contingente. Na verdade sua preocupação é pedagógica: o efeito formativo dos mitos sobre a alma dos futuros guardiões (376e-377c). Por isso que ele mira em Homero e Hesíodo diretamente: eles erram justamente onde mais importa, na representação do que forma o caráter. Há tbm uma distinção explicitada por Platão, entre a mentira nas palavras, que pode ter uso pedagógico legítimo (o "mentira útil", pseûdos, mencionado em 382c-d), e a mentira na alma, a ignorância sobre o essencial, que é o verdadeiro mal (382a-b). Apesar disso, essa crítica terá uma reverberação imensa depois. A ideia de um deus simples, imutável, causa só do bem, atravessa a teologia patrística e medieval. Por isso que mais cedo falei que talvez aqui esteja o "embrião" do argumento agostiniano sobre o mal não existir. Enfim, apenas divagações. Para os interessados recomendo esse artigo sobre o livro II da República.
Segundo Lloyd Gerson, o uso mais precoce da palavra 'theologia' parece ter ocorrido em Platão (República 379a5), num contexto onde este termo é compreendido como algo como um conjunto de princípios com base nos quais pronunciamentos mitológicos deveriam ser feitos.
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Millôr Fernandes, Ariano Suassuna e Luís Fernando Veríssimo
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"Eu ignorava o século, os cometas, a tradição. O cometa [Halley] veio ao cabo de uns dois anos e comportou-se bem. Minha mãe foi observá-lo da porta da igreja, sem nenhum receio, esquecida inteiramente da predição. Nesse tempo nós nos tínhamos mudado, vivíamos longe da vila. O mundo estava imenso, com muitas léguas de comprimento — e desafiava, seguro, profecias e cometas." Graciliano Ramos, "Infância"
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Graciliano Ramos | 🇧🇷
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Grupo no zap para nós, fumantes. Assuntos relacionados à tabacaria em geral (cigarros, cachimbos, rapé, charuto e o que mais for fumaça). Interessados chamem na dm
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"Gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. O crocodilo vem ao mundo como um magister da metafísica, pois para ele cada rio é um oceano, um mar da sabedoria, mesmo que chegue a ter cem anos de idade. Gostaria de ser um crocodilo, porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma do homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como os sofrimentos dos homens. Amo ainda mais uma coisa de nossos grandes rios: sua eternidade. Sim, rio é uma palavra mágica para conjugar eternidade." João Guimarães Rosa (clippingcacd.com.br)](blog.clippingcacd.com.br/cac…)
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De Nelson Rodrigues, acerca da amizade: "Eis o que eu queria dizer: — para mim, a amizade continua sendo o grande acontecimento. Todos os sábados, lá vou eu almoçar com o Hélio Pellegrino. Lembro-me de que, uma vez, teve o amigo uma luminosíssima idéia. Diz: — 'Vamos tomar vinho'. Assim é o Hélio. Mineiro e calabrês, tem, por vezes, a volúpia européia do vinho. Abriu uma garrafa e, com um olho rútilo, um olho dionisíaco, disse: — 'Bebe!'. Bebi para fazer-lhe a vontade. Na verdade, sou o homem da água da bica. Mas o Hélio bebeu, bebeu. E, de repente, pôs a mão no meu braço. Disse exatamente isto: — 'Nelson, você é um dos meus amigos fundamentais'. Ora, eu atravessaria três desertos para ouvir alguém dizer isso. E, então, percebi uma das verdades mais lindas da terra: — o amigo é o santo. Não sei se me entendem e, se não me entendem, paciência." Fonte: "O Óbvio Ululante" Imagem (da esquerda para a direita): Vinícius de Moraes, Nelson Rodrigues e Otto Lara Resende
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PRECISAMOS DE MAIS SOBERBOS E ARROGANTES Quando alguém se dedica a fundo a um assunto a confiança surge quase como consequência natural do esforço. Anos de leitura, de erro e de reformulação deixam marcas, e uma dessas marcas é a segurança com que se fala sobre aquilo que se conhece bem. Porém, essa confiança costuma ser lida como soberba por quem não tem a mesma intimidade com o tema, os sujeitos que Ortega y Gasset chamou de massa, enquanto Nelson os chamou de cretino fundamentais. Nelson Rodrigues, na célebre entrevista a Otto Lara Resende, pareceu a muitos um homem arrogante. Para os versados em cultura e pensamento (ncluindo o próprio entrevistador, aliás) tratou-se de um dos momentos mais altos do jornalismo brasileiro na segunda metade do século XX. A "pompa" de Nelson vinha acompanhada de uma personalidade rara, de um "eu" plenamente realizado, algo que o declínio educacional talvez tenha tornado cada vez mais difícil de reconhecer no brasileiro médio. Falo disso porque a confiança construída ao longo de anos de estudo costuma soar arrogante aos ouvidos de quem, despreparado, pergunta por curiosidade e recebe de resposta uma aula inteira. Essa confiança sustenta o próprio homem. Dizer "eu domino esse assunto porque abri mão de certos prazeres para chegar até aqui" é reconhecer o preço pago pelo conhecimento, e esse reconhecimento fortalece quem o carrega. Sem ela a jornada intelectual tende à melancolia, e o sujeito inseguro dificilmente se reconhece capaz, forte ou íntegro. Nelson Rodrigues resumiu bem esse tipo de autoestima quando disse que toda mulher deveria ser um pouco lésbica de si mesma. Do mesmo modo, todo homem que busca escapar da mediocridade precisa cultivar esse brio.
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Salve Daniel Macedo, nosso Platão do Rio Grande.
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Geir Campos, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, 1955. Arquivo Lêdo Ivo, Instituto Moreira Salles
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