TRUMP x HAVARD, um novo episódio.
O governo Trump, que adora posar como guardião da “liberdade de expressão”, resolveu que essa liberdade só vale até a porta da universidade. Harvard, a mais antiga e rica do país, virou alvo preferencial: primeiro foi acusada de “não combater o antissemitismo”, embora a própria Justiça tenha reconhecido que a universidade adotou medidas e que o congelamento bilionário de verbas era ilegal.
Mas, claro, quando o objetivo é expurgar a tal “ideologia woke”, qualquer desculpa serve, até confundir antissionismo com antissemitismo. Afinal, perseguir pensamento crítico é uma marca da extrema-direita.
Agora, o Departamento de Saúde decidiu colocar Harvard na lista maldita de financiamento, como se fosse uma empresa suspeita e não uma instituição científica. É o show da coerência: um governo que diz combater censura e cancelamento, mas cancela pesquisas e sufoca universidades que não rezam pela cartilha oficial.
E tudo embalado em discurso moralista sobre proteger estudantes judeus, ainda que os próprios relatórios da universidade mostrem avanços contra discriminação e o Departamento de Justiça não tenha movido um dedo diante das “provas” apresentadas.
O absurdo é cristalino. O governo que mais grita contra “ditaduras” age como censor de toga e tesoura em mãos. Trump e sua trupe fazem da ciência e da autonomia universitária um bode expiatório, jogando na fogueira da guerra cultural qualquer espaço que ouse pensar diferente.
A liberdade de expressão, tão proclamada nos palanques, revela-se apenas liberdade para concordar com o governo. E quem insiste em raciocinar fora da cartilha ideológica que se prepare para o corte, de verbas, de voz e, quem sabe, de futuro.