É tao simples de resolver:
Baixa a selic, pib sobe, arrecada mais, gasta menos com juro, divida/pib cai, volta a baixar selic, pib sobe mais ainda, desemprego e gastos sociais caem , baixa mais selic, divida/pib cai, círculo virtuoso, pib sobe, selic cai a juro real perto de zero, divida/pib começa a cair, pib explode, arrecadação explode, gastos sociais desabam, selic com Juro real negativo, divida/pib caindo velozmente. Pais de primeiro mundo.
Tudo isso é fácil de fazer. É só tirar a gangue da selic do banco central e colocar sachida na economia.
Flávio promete cortar R$ 200 bi de gasto em 2027, 1,5% do PIB. O PT fala em reforma do Estado. Nenhum dos dois diz como, e a conta do Alexandre Schwartsman, na Veja, mostra por que é difícil.
O governo federal deve gastar uns R$ 2,6 tri em 2026. Parece fácil achar R$ 200 bi aí dentro. Só que a despesa que o governo pode cortar sem mudar lei, a discricionária, é de R$ 244 bi este ano. Nela está todo o investimento federal e o custeio da máquina.
Fiz a conta: tirar R$ 200 bi só dali seria cortar 82% dela. Na prática, desligar o governo.
O resto, R$ 2,4 tri, tem nome e endereço. Previdência (R$ 1,1 tri), funcionalismo (R$ 445 bi), programas sociais (R$ 400 bi) e mínimos de saúde e educação (R$ 190 bi). Só a Previdência leva 42% de tudo o que o governo gasta.
Ajuste de verdade, portanto, passa por mudar as regras que fazem esses gastos crescerem sozinhos todo ano. É justamente o que nenhum candidato quer dizer antes da eleição.
Schwartsman também lembra que um ajuste como o de Milei não cabe aqui. O orçamento brasileiro é muito mais engessado, e boa parte do corte argentino só foi possível porque a inflação já tinha corroído os gastos.
Se ninguém mexer nas regras, sobra a inflação pra fazer o trabalho sujo.
Qual gasto você mexeria primeiro?
fonte: Alexandre Schwartsman na Veja