Dizem que a maior besteira que você pode fazer é tentar por muitas vezes a mesma coisa esperando por resultados diferentes.
Pois bem.
Desde 2018 se insiste na ideia de que é preciso dialogar com bolsonarista. Sobretudo o pobre.
Onde essa tentativa de diálogo nos levou?
A mais de 700 mil mortos na pandemia.
À uma tentativa de golpe de estado.
À eleição de deputados e senadores em 2022 que fizeram de tudo pra inviabilizar avanços sociais.
Agora, nos traz até um cenário onde Flávio Bolsonaro está na frente na disputa do segundo turno.
Ainda assim muita gente segue defendendo: "é preciso dialogar com o bolsonarista pobre".
Sinceramente? Não. Não é.
É preciso afrontá-lo, ridicularizá-lo. Porque eles já estão com o voto totalmente cristalizado e não vão mudar por diálogo algum.
Eu não tô falando aqui de forma ampla, por exemplo, do cidadão que é crítico ao Lula. Quer ser crítico ao Lula? Quer ser oposição? Isso é legítimo, e é direito da pessoa. Quer ser de direita? Independente de ser pobre, rico, o que for? É legítimo, e é direito da pessoa. Com essas pessoas eu quero dialogar sempre. E as respeito.
Eu respeito fortemente as pessoas que votaram no Renan Santos, no Augusto Cury, no Caiado, as que não votaram ou votaram em branco. Porque tudo isso é legítimo. E é com essas pessoas que vale a pena conversar.
Quem votou no Flávio Bolsonaro, seja essa pessoa um barão do café, um mega empresário das big techs, um atendente de telemarketing, uber, MEI, professor, diretor de empresa, o que for, esses honestamente eu vejo como inimigo, e não quero diálogo.
Não tem diálogo com quem apoia esse projeto.
Que não é o projeto da direita de forma ampla, não é meramente uma oposição ao Lula de forma ampla. É o projeto das milícias, do entreguismo, do desmonte institucional. Não tem diálogo com bolsonarista.
Existem dezenas de milhões de votos em disputa.
E advinha? A melhor forma de disputar esses votos é mostrando que existe uma linha clara de divisão entre os dois lados, que as diferenças são gigantes, e que é preciso escolher um projeto de país de um lado ou de outro.
E isso só vai ficar realmente claro pra quem está indeciso se a briga se intensificar. Se as diferenças ficarem ainda mais evidentes.
Quando a gente tenta dialogar com o bolsonarismo a gente o normaliza, traz ele para o campo daquilo que ainda é discutível, negociável. E não se negocia com o fascismo.
Quando a gente passa a enfrentá-lo de forma dura, doa a quem doer, mostramos sua real face, e aí cabe ao resto do povo escolher.
A saída deles inclusive é argumentar: "olha, a esquerda tá xingando o pobre de burro". Mais um motivo pra deixar ainda mais claro onde a linha está traçada: o pobre não é burro. O bolsonarista é. Seja pobre, classe média, rico, homem, mulher, ou o que for.