Há duas coisas interessantes que estou observando sobre a IA, a princípio.
Mas, antes de dizer quais são, deixem-me divagar um pouco sobre o surgimento da internet, mais especificamente sobre seu momento de consolidação como meio ordinário de comunicação, algo ali em torno de 2009 em diante.
A internet foi uma ferramenta poderosíssima para a troca de informações, tanto pelo seu caráter, a princípio, descentralizado, quanto pela velocidade com que essas informações podiam circular. Então, é óbvio que os donos desse mundo perceberam a merda que poderia dar e tiveram duas ideias, devo admitir, brilhantes, embora um tanto óbvias quando você para para pensar no "problema" e na forma mais eficiente de solucioná-lo, pelo menos para eles.
A primeira e mais eficiente estratégia foi a criação das redes sociais, ou melhor, de canais centralizados de comunicação. Infelizmente, o ser humano é um ser sociável e geralmente vaidoso, então essa foi a armadilha perfeita: você junta o rebanho em um pasto, passa a observar tudo o que é discutido e devolve migalhas de atenção para aqueles que conseguem se destacar. Assim, cria-se a falsa ilusão de importância, não para a informação, mas para a pessoa que a transmite.
Isso criou um mercado gigantesco, é verdade. Mas quem continuou lucrando infinitamente mais foram as mesmas pessoas de sempre.
Por outro lado, havia outro problema a ser resolvido. Apesar de os discursos agora estarem sendo monitorados, eles não simplesmente deixariam de existir. E você não pode esconder terabytes de informações públicas ou facilmente verificáveis.
Então surge algo brilhante. Ou melhor: o pior tipo de mentira que existe, uma meia-verdade.
Para esconder uma conclusão óbvia sobre quem realmente influencia os rumos da sociedade há séculos, justamente em um cenário de informação instantânea, nada melhor do que uma psyops.
A criação de uma subcultura inteira de teorias da conspiração, com duas camadas.
De um lado, você atira teorias para todos os lados, misturando fatos, meias-verdades e absurdos: maçonaria, Illuminati, reptilianos, ETs... Enfim, tem para todos os gostos. E, claro, tudo começa em fóruns underground, com aquele ar irresistível de "estou falando algo secreto que poucas pessoas sabem".
A segunda camada é ainda mais simples: os próprios criadores dessas teorias, ou das respectivas meias-verdades, passam a colocar tudo o que aparece na mídia e na academia sob o rótulo de "teoria da conspiração". Aliás, termo cuja história e origem também dariam uma discussão à parte, mas não vamos entrar nesse jogo.
Pronto.
Agora você amarra boomers, millennials e tudo o que vier depois nesse ciclo infinito que não leva a lugar nenhum.
E melhor ainda: o tipo de pessoa que geralmente procura esse conteúdo tem, no mínimo, alguma curiosidade pela verdade. Há alguma coisa incomodando aquela pessoa. Ela percebe que vive em um mundo de mentira e começa a procurar explicações.
E, enquanto ela perde tempo nesse labirinto, somado a um ensino regular que claramente a doutrina para o ateísmo, não sobra tempo para procurar a única Verdade presente nesta vida, que é Jesus Cristo e Sua Única Igreja.
Claro que o plano é tão bom que, quando ela finalmente chega perto disso, também pode simplesmente concluir que a Igreja "é só mais uma seita tentando me controlar".
Perfeito. O ciclo se fecha.
Mas por que fiz toda essa volta para falar sobre IA?
Porque é justamente aí que entram as duas coisas que estou observando.
A internet colocou diante do homem um oceano de informações. Em tese, bastava tempo, curiosidade e disposição para cruzar essas informações e chegar a determinadas conclusões..
A IA muda completamente a escala disso. Ela pode atravessar esse oceano de informações, cruzar padrões, comparar versões e chegar a determinadas conclusões em segundos.
E aí está o ponto realmente interessante: se antes era necessário construir toda uma engenharia social para manter o indivíduo perdido no meio desse oceano, agora você pode simplesmente controlar a ferramenta que está fazendo a travessia por ele.
Não é mais necessário controlar cada pessoa, cada pesquisa, cada fórum ou cada caminho que ela percorre. Basta estabelecer previamente o que a própria IA pode concluir, o que pode dizer e, principalmente, aquilo que ela jamais deve dizer.
E, para mim, é aí que as coisas ficam realmente interessantes.
Porque existem pelo menos duas conclusões que, depois de colocar informação suficiente sobre a mesa, deveriam ser extremamente difíceis de evitar.
A primeira é a mais importante: O que ou quem é a Verdade, qual o real sentido da vida?
A segunda é: quem, de fato, controla os rumos deste mundo e é o responsável por toda essa desgraça?
Talvez seja justamente por isso que certas respostas precisem ser tão cuidadosamente filtradas.
Quando li que, em determinados testes, a maioria das IAs apontavam Jesus Cristo e a Igreja Católica como a verdadeira religião e que, quando estavam sem determinadas restrições, apresentavam respostas extremamente anti... (vocês sabem o quê), comecei a perceber que talvez as coisas sejam muito mais simples do que parecem.
E essa é a ironia.
A internet exigiu uma enorme engenharia social para manter o homem perdido dentro de um oceano de informações.
A IA talvez exija apenas algumas linhas de código para impedir que ela própria chegue às conclusões que esse mesmo oceano permite alcançar.
Enfim, talvez seja um pouco difícil entender exatamente do que este texto trata, justamente porque deixei alguns pontos deliberadamente vagos. Mas essa era a reflexão que queria compartilhar com quem acompanha esses temas há muito tempo.
(o problema não é a IA, mas (quem) a controla)