Estou chocada e sem palavras…
Só sigo trabalhando.
Uma onda de denúncias envolvendo ameaças, agressões, atropelamentos e ataques contra povos indígenas passou a mobilizar organizações indígenas e órgãos públicos após o segundo turno das eleições presidenciais.
A situação ganhou força principalmente em Mato Grosso do Sul, onde comunidades Guarani Kaiowá e Terena relataram intimidações, manifestações racistas e até uma ameaça de envenenamento da água utilizada por indígenas.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) levou os relatos ao Ministério Público Federal, Polícia Federal e outros órgãos federais, pedindo investigação e proteção às comunidades.
Em Tacuru, o MPF abriu apuração sobre áudios com ameaças e cobrou providências da prefeitura. Um servidor municipal chegou a ser afastado enquanto o episódio é investigado.
O Ministério dos Povos Indígenas também acionou a Polícia Federal, e a Força Nacional foi autorizada a atuar em apoio à Funai na proteção de comunidades ameaçadas em Mato Grosso do Sul.
O problema, porém, ultrapassa um único município.
Segundo levantamento apresentado pelo Governo Federal, 45 casos de possível violência política envolvendo 47 vítimas passaram a ser acompanhados após o segundo turno. Entre as ocorrências relatadas estão agressões, atropelamentos, disparos e mortes. O governo informou que três das vítimas fatais eram indígenas e atribuiu as denúncias a episódios envolvendo apoiadores de lados opostos da disputa eleitoral — fatos que continuam sob investigação.
É justamente por isso que informação responsável também é parte da proteção.
Em Naviraí, por exemplo, imagens de uma tentativa de duplo homicídio circularam nas redes como se mostrassem indígenas assassinados por motivação política. O MPF verificou que o caso não tinha relação étnica ou eleitoral.
Denúncia falsa precisa ser corrigida. Ameaça verdadeira precisa ser investigada. E violência contra povos indígenas nunca pode ser tratada como consequência “normal” de uma eleição.
Divergência política não autoriza racismo, perseguição, ameaça ou violência.
Neste momento, proteger as comunidades, registrar denúncias, preservar provas e cobrar investigação séria é mais importante do que alimentar boatos.