O ano era 1989. Primeira campanha presidencial de Lula, concorrendo contra Collor. Durante sua turnê no interior de SP, o candidato da esquerda visitou a cidade de Birigui, famoso polo calçadista. Visitou algumas fábricas de calçados, como Kyuti (Já extinta) e Klin, além de visitar o maior sindicato da região noroeste paulista, o Sindicato dos Sapateiros de Birigui (Sinbi), que reunia algumas dezenas de milhares de trabalhadores do setor. O candidato foi recepcionado com um almoço na sede da Associação Comercial da cidade, e durante esse evento, desistiu de se sentar na mesa reservada as autoridades, e sentou-se na mesa reservada aos jornalistas. Sentou-se na minha frente. Eu estava cobrindo a visita para o jornal de uma cidade vizinha. Éramos cerca de 7 ou 8 jornalistas na mesa. Depois de falar por quase 45 minutos, respondendo a algumas perguntas de maneira muito informal, me deixou uma certeza, uma convicção. Aquele sujeito nunca poderia ser presidente, pois não era confiável e nem honesto em suas falas. Sempre fui conservador, mesmo que na juventude não tivesse essa consciência, digamos, ideológica. Nessa época, eu tinha 24 anos. Como se viu, eu estava parcialmente enganado. Ele conseguiu se eleger, ainda que anos mais tarde. Mas a minha convicção quanto a pessoa dele nunca mudou. Nessa parte, eu não estava errado, no que fui respaldado por várias pessoas que conviveram intimamente com Lula, como o fundador do PT, Hélio Bicudo, que abandonou o partido após, segundo suas palavras ao programa Roda Viva, se decepcionar com o que chamou de enriquecimento ilícito e inexplicável. Essa entrevista de Bicudo está no Youtube. Eu votei em todas as eleições depois da redemocratização, mas nunca na esquerda e muito menos em Lula. Me conforta saber que, perdendo ou ganhando, essa será a última vez que verei o nome dele nas urnas. Obviamente, desejo que ele perca. Lembrem-se disso: essa é a última eleição da qual ele participa. Estamos fechando a capa de um livro. Só espero viver mais alguns anos para de fato ver o país livre dessa chaga. Felizmente, acabou.