Sérgio, eu joguei no Google, e a primeira coisa que preciso dizer é que a morte da Ana Clara, cinco anos, atingida por tiros de fuzil na porta de casa em 2021, é uma tragédia que merece justiça, e o policial acusado tem que ir a júri e responder pelo que fez, sem demora e sem desculpa. Mas o que você e a tua turma estão fazendo com essa menina não é pedir justiça, é usar a morte dela como peça de campanha, e a hipocrisia está no argumento. O Flávio atuou como advogado de defesa do acusado, assinou um recurso, o STJ negou, e o júri está marcado, ou seja, o sistema funcionou exatamente como deve funcionar num Estado de Direito, todo acusado tem direito a defesa, por mais grave que seja a acusação, e é a Justiça, não o advogado, que decide. E foram vocês que ensinaram isso ao país durante anos, quando o assunto era o Lula. Vocês defenderam que o direito de defesa é sagrado, que recorrer até a última instância é garantia constitucional, que advogado não se confunde com cliente, e premiaram essa tese da forma mais escandalosa possível, o advogado do Lula, o Zanin, que recorreu de tudo, em todas as instâncias, até derrubar as três condenações do cliente por corrupção, virou ministro do Supremo Tribunal Federal. Então a régua de vocês é esta: o advogado que livrou o Lula da cadeia ganha toga vitalícia, e o advogado que assinou um recurso negado num caso de um policial vira monstro em vídeo de campanha. Ou o direito de defesa é sagrado para todos, e o teu post não tem objeto, ou não é, e então o primeiro a ser julgado por ele é o homem em quem você vota, condenado em três instâncias e solto não por inocência, mas porque um tribunal decidiu que o juízo era o errado. A Ana Clara merece justiça, Sérgio, e a família dela merece um júri, não uma hashtag, e quem transforma a dor de uma mãe em material de campanha a uma semana da eleição não está defendendo a memória da menina, está usando, exatamente como acusa os outros de fazer.
Agora que acabou o debate, eu peço que você, independente de ser de esquerda ou de direita, jogue no Google: Flávio Bolsonaro caso Ana Clara.