Imagens que gravei no passado domingo, na Baixa do Porto, com milhares de pessoas em protesto pacífico pelo direito à habitação e contra a violência policial.
É revoltante a operação de relações públicas que procura construir uma narrativa para substituir aquilo que os nossos olhos vêem e viram. É chocante que governantes e deputados se refiram à generalidade dos manifestantes como vândalos ou extremistas, como fizeram hoje no Parlamento.
O que vemos são jovens, famílias e outros cidadãos pacíficos, que constituem o grosso destes protestos. Manifestações e acampadas fazem parte da nossa vida democrática, como tantas outras ao longo dos anos. O direito constitucional à manifestação não depende da concordância de quem governa.
Quanto mais os governantes radicalizam o discurso, mais se afastam da realidade e mais medo demonstram de quem protesta. Procuram também intimidar e isolar os muitos cidadãos e políticos que se solidarizam com estas causas e repudiam a violência, não por cálculos partidários mas por empatia e princípios de solidariedade.
Com isso, Montenegro e seus apoiantes neste tema (PSD, CDS, IL e Chega) tentam desviar a discussão do essencial: o preço das casas e das rendas, a dificuldade crescente de ter uma casa e a responsabilidade de um Governo cujas políticas agravam a crise da habitação.
Um Governo que eliminou a contribuição extraordinária sobre o alojamento local e voltou a facilitar a transformação de habitações em alojamentos turísticos. Que revogou o mecanismo de arrendamento de casas devolutas e estimulou a procura através da garantia pública ao crédito, acrescentando pressão sobre os preços sem garantir mais casas acessíveis.
Um Governo que chama “moderadas” a rendas até 2300 euros e que propõe retirar limites ao aumento das rendas em novos contratos, permitir cauções sem o limite de duas rendas e exigir mais rendas antecipadas. Medidas que tornam ainda mais difícil entrar numa casa e permanecer nela.
Não calarão a voz das pessoas.
“Tecto, chão, direito à habitação.”
Força a quem se manifesta pacificamente por esta causa tão justa.
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