Não me espanta que mais um criminoso fuja do país com medo de ser preso. Espanta-me, sim, que o criminoso em questão, 48 horas antes, tenha obtido quase 60 milhões de votos para se eleger presidente do Brasil.
As pessoas não sabiam que ele era investigado pelo Supremo Tribunal Federal por evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa? Sabiam ou deveriam saber. Era público.
Não sabiam que ele, se derrotado, tentaria fugir? Claro que sim. Um irmão dele que vive nos Estados Unidos antecipara que ele fugiria, caso não se elegesse.
O que assistimos hoje não é apenas a fuga covarde de um indivíduo que teme a justiça, mas o retrato de um país anestesiado, onde metade do eleitorado escolheu fechar os olhos para o abismo. Validar nas urnas quem já subestimava as leis é a prova cabal de que a nossa crise moral é muito mais profunda e crônica do que qualquer crise política ou econômica.