A GIGANTESCA TORCIDA DO VASCO E A FRAUDULENTA PESQUISA DATAFOLHA
A torcida do Vasco foi a maior do país nos anos de 1920, 30, 40, 50 e início de 1960. Os dados estão expostos na pesquisa que materializou o livro "Vasco: o clube do povo - uma polêmica com o flamenguismo (1923-1958)". Já o Flamengo, embora a narrativa oficial, criada por Mario Filho, afirme que a popularidade veio quando este clube aceitou negros no time em 1936, é certo que a partir da segunda metade dos anos 60, o clube da Gávea, sob forte auxílio da imprensa escrita (desde a década de 1930) e depois televisionada (a partir de 1965), além dos dois tricampeonatos (décadas de 40 e 50), passou para dianteira como maior torcida do Brasil e seguiu hegemonizando até o tempo presente.
Paralelamente, o estado de São Paulo cresceu de modo exponencial sua população, tendo a migração de nordestinos como uma de suas principais características. Neste então, os clubes paulistas passaram a ampliar seu alcance, contando também em seu favor com grandes equipes, como Santos do Pelé e a academia do Palmeiras, com Ademir da Guia. Outro fator que contou favorável para os clubes paulistas foram as transmissões de jogos pela TV, que nitidamente, a Bandeirantes tinha como base a transmissão de jogos de São Paulo, enquanto a Globo primava pelo Rio de Janeiro como regra. Nesse período, cresceram as torcidas de Flamengo e Corinthians.
Por isso, é compreensível a mudança de lugares das maiores torcidas do país entre a primeira metade da década de 60 e a início dos anos 80. O livro "Democracia corintiana" afirma com todas as letras que até 1982, o Corinthians Paulista, era um clube de expressão regional. Portanto, coube ao Marketing corintiano, encabeçado por Washington Olivetto, com apoio da Folha de S. Paulo, da redação da revista Playboy e do Boni, chefe das novelas da Globo, para transformar aquela experiência fabulosa particular, com o momento histórico da queda da ditadura no Brasil. Esse foi o elemento que saltou o Corinthians de um clube de expressão regional para nacional.
Portanto, como balanço do século XX, o Vasco era o clube que ocupava esse lugar, depois de ter perdido a hegemonia de maior torcida para o Flamengo entre 1963/4. O que quero dizer, que nada mais natural e justificado com longevidade histórica, que, primeiro, Vasco e Flamengo aparecem como clubes do “povão” (os mais pobres) e que o Corinthians esteja nesse marco histórico, abaixo de Vasco e Flamengo, como apontou a pesquisa OGlobo/IPOS-IPEC (31/07/2025). Todavia, há diferenças entre os três clubes nas trajetórias, que obviamente não são os títulos, mas é que para o Flamengo, o apoio da mídia foi e segue central. Do contrário não haveria um início e um meio antes do fim. O Corinthians, mesmo de modo tardio, soube convergir, com o apoio de uma parte da mídia, com uma experiência original. O Vasco, por sua vez, só teve a mídia hegemônica como algoz. De tal modo, seu desenvolvimento contou exclusivamente com suas próprias forças, isto é: de seus associados, torcedores, da conquista de títulos e triunfos para além do desporto como a Resposta Histórica.
Quer dizer, o Vasco mantinha seu peso na virada do século XX para XXI. Não à toa, em 2001, a USP divulgou uma pesquisa que o Vasco da Gama conservava a 3a maior torcida do país com 16,5 milhões de torcedores (Terra, 04/06/2001). Esse dado ganha ainda mais holofotes quando é espelhado com o último período de ouro do clube (1997-2001). Ou seja, o CRVG estava em ascensão e é pouco provável que até o rebaixamento de 2008, a torcida tenha desidratado, até porque, segundo pesquisas nesse século, tanto o São Paulo FC (tricampeão brasileiro em 2006, 2007 e 2008), quanto o Palmeiras (rebaixado em 2002 e 2012), ultrapassaram o Vasco em número de torcedores na primeira década do século. Mas, como podemos observar, o crescimento das torcidas não se enquadra exclusivamente, embora seja relevante, no fator da conquista de títulos. Por isso, é de se questionar como o Vasco perdeu uma gama massiva de seus torcedores e, que, ao mesmo tempo, clubes regionais, como Cruzeiro e Grêmio, passaram configurar no ranking das maiores torcidas do país, ou na frente do Vasco da Gama ou empatados.
Isto posto, há duas hipóteses que podem ser examinadas nesse contexto, estando combinadas ou não, que são: a fase ruim, com a baixa de títulos, os quatro rebaixamentos e a crise institucional; que pode baixado substancialmente a taxa de natalidade de novos vascaínos, na mesma mão inversa, do aumento da mortalidade de torcedores do CRVG.
Contudo, como se explica alguns fatores objetivos, como o maior movimento espontâneo de associação de torcedores, no qual o Vasco se tornou o clube com o maior número de sócios-torcedores do Brasil - mais de 180 mil entre novembro e dezembro de 2019 - e o quarto do mundo. Ou a campanha da construção do Centro de Treinamento Moacyr Barbosa. Ou, segundo pesquisa OGlobo/IPOS-IPEC (2025), o CRVG está no topo da tabela de público visitante, mesmo na pior fase de sua história. Ou a venda recorde de camisas e produtos do clube. Sem contar com o incontáveis recepções de massas nos aeroportos no país afora com um histórico de cinco Série B em 15anos e uma crise de liquidação do clube sem precedentes.
Como explicar? Ademais, por que nenhuma torcida nessas pesquisas realizaram tais feitos sob essas condições ou de qualquer outro tipo? Essas são perguntas que podem ser feitas, sem nenhuma cerimônia, as chefias da pesquisa Datafolha publicana no jornal Folha de S. Paulo (01/08/2026) que coloca o Cruzeiro com 4% da torcida nacional, o Vasco com 3% empatado com o Grêmio. Porém, o que chama atenção é que a amostragem da pesquisa teve como universo 2004 pessoas em 113 municípios entre sudeste, sul, centro-oeste/norte. Só para darmos um dado comparativo, a USP na pesquisa de 2001, entrevistou 17 mil pessoas, nos 100 maiores municípios e utilizou pesquisas em jornais e revistas. Isto é: da problematização pode-se tirar conclusão? Nesse caso, creio que sim.
Por isso, vascaínas e vascaínos, ignorem esse tipo de pesquisa.