Um dos objetivos da criação da MATRIA foi ser a voz de tantas mulheres silenciadas pelo transativismo. E, com isso, mostrar a tantas outras que elas também podem e devem falar sobre seus incômodos em relação a políticas para mulheres baseadas em identidade de gênero.
Sabemos que quanto mais pessoas tomarem coragem de falar sobre o tema, mais vai ficar óbvio que a maioria esmagadora da sociedade entende a relevância do marcador sexo para leis, políticas públicas e acordos sociais. E assim, mais fica insustentável manter o discurso transativista de que a ideia de "identidade de gênero" pode e deve substituir o sexo.
A resposta a esse aumento de vozes, no entanto, se torna cada vez mais virulenta, pois apenas o silenciamento de opiniões contrárias permite que o movimento transativismo prospere.
É esperado e é o que estamos vendo.
A Carta-Compromisso da MATRIA para as Eleições 2026 tem escancarado esse mecanismo. E, só isso, já seria em si um sucesso.
Ela está circulando em todos os ambientes políticos, gerando debates e escancarando mecanismos dos quais estamos cientes há anos.
A matéria publicada em 16/09/2026 pelo Jornal Plural é uma ótima ilustração do fenômeno.
1. Hipérboles e falta de argumentos
Para justificar suas afirmações de que a Carta-Compromisso da MATRIA seria “transfóbica", a matéria entrevista Toni Reis, fundador do Grupo LGBTQIA+ Dignidade:
A fala de Toni Reis não traz qualquer argumento para embasar sua afirmação de que uma construção social (“gênero”) deveria ser usada em “direitos humanos".
Só o que ele traz são imputações completamente descoladas da realidade, ao dizer que a Carta da MATRIA busca:
- “eliminar pessoas trans da vida”
- “privar do uso de banheiros”
- “privar da vida acadêmica”
- “privar do esporte”
- “tirar a existência das pessoas trans”
Reconhecer o sexo de uma pessoa
na hora de pautar leis, políticas públicas
e acordos sociais não “tira a existência” de ninguém.
Qualquer pessoa, independente
de declarar ou não uma “identidade
de gênero” sempre terá banheiros que pode frequentar, de acordo com seu sexo. Todo cidadão tem direito a praticar esportes, na categoria reservada ao seu sexo. Qualquer um que cumpra
os requisitos necessários, pode frequentar uma universidade.
2. Falso consenso
O fenômeno de candidatos de esquerda que assinam a Carta e, sob pressão, retiram sua assinatura, deixa claro como é formado o suposto consenso em torno do tema de “identidade de gênero”:
- Quem reconhece sexo como marcador relevante é pressionado, atacado, silenciado e excluído.
- Os grupos que fazem essa pressão justificam dizendo que defender tal posição é “coisa de direita”.
- O recuo é considerado prova de que não existe tal posição na esquerda.
Quando uma divergência política exige não apenas uma mudança de posição, mas uma performance de arrependimento, com retratação pública, pedido de desculpas e uma reafirmação inequívoca de lealdade, estamos diante de algo maior do que uma simples disputa de argumentos.
Estamos diante de um mecanismo de disciplinamento.
3. Interdição do debate
Quanto mais pessoas começam a expressar publicamente suas discordâncias, mais os defensores do transativismo fazem pressão fazem para que recuem e se retratem.
Ao longo de toda a matéria, nenhum dos argumentos trazidos pela MATRIA sobre a importância da categoria mulher ser baseada no sexo é rebatido. Apenas desqualificam e adjetivam a associação, e fazem um ritual de humilhação pública da candidata que ousou assinar a Carta-Compromisso.
O objetivo principal desta e de outras postagens sobre a Carta-Compromisso em específico e sobre a MATRIA em geral, é tentar impedir que mais pessoas do campo de esquerda tenham coragem de expressar suas opiniões a respeito de sexo e identidade de gênero.
4. Jornalismo ativista
A mídia tem desempenhado papel importante na sustentação desses mecanismos disciplinares.
O que vemos são pré-julgamentos, distorções, pontos de vista parciais.
O resultado são matérias rasas e com poder manipulativo.
Não há qualquer aprofundamento no tema, apenas manchetes sensacionalistas e acusações vazias de "transfobia".
Ao invés de exercer o papel esperado
do jornalismo, a íntegra da matéria deixa claro seu ativismo.
No entanto, nada é mais hilário do que considerar que um Dossiê que classifica a MATRIA como “contrária aos direitos LGBTQIA+” só poderia ser questionado pela associação caso essa demonstrasse “aceitação de mulheres trans” (na categoria “mulher", supõe-se).
A divergência da MATRIA em relação às reivindicações baseadas em identidade de gênero é suficiente para classificá-la como ‘contrária aos direitos LGBTQIA+’.
Ou seja, reivindicações que se sobrepõem e descaracterizam os direitos das mulheres são previamente reconhecidas como ‘direitos’;
já os direitos das mulheres são previamente definidos como ‘oposição
a direitos’.
O conflito é, dessa forma, resolvido pela própria escolha das premissas.
E há ainda outra contradição nessa classificação: a MATRIA não é externa à própria comunidade LGBT. A associação reúne muitas mulheres lésbicas e bissexuais, que não apenas integram essa comunidade, mas possuem reivindicações próprias enquanto mulheres homossexuais e bissexuais.
Classificar a MATRIA como “contrária aos direitos LGBTQIA+” pressupõe que há uma posição política única dentro
de uma comunidade formada por grupos distintos, com experiências, interesses e perspectivas que nem sempre são coincidentes.
Quanto mais pessoas começam a expressar publicamente discordâncias que antes pareciam impensáveis, mais importante se torna observar não apenas os argumentos usados para atacá-las, mas o tipo de comportamento que se exige de quem recua.
A Carta-Compromisso da MATRIA tem sido o gatilho para que os mecanismos virulentos e autoritários utilizados pelo transativista para se manter na esquerda sejam escancarados.
Obrigada a todos que, ao circularem a Carta, estão ajudando a escancarar aquilo que sempre soubemos.