Eu voto desde 2004 e só votei em Lula UMA VEZ: no segundo turno de 2022, contra Bolsonaro. Dessa vez, votarei em primeiro turno, por várias razões.
A primeira é que não há escapatória: não existe um candidato melhor. Posso ter um milhão de discordâncias com o governo Lula, mas tenho dez milhões de discordâncias com Flávio Bolsonaro. Todos os demais, com exceção feita aos socialistas, são contra as pautas dos trabalhadores, e eu sou um trabalhador. E - falando nos socialistas - tenho enorme respeito e admiração por Hertz Dias, já fui militante do PSTU, inclusive. Mas não voto pelas mesmas razões que me fizeram deixar de ser militante do partido: uma inacreditável desconexão com a realidade. E li o programa da UP e senti pena. Então, por exclusão, Lula.
Mas não só: Lula promoveu o debate sobre trabalho por aplicativos, que é o cerne do debate sobre a organização do trabalho neste início de século. Começou atrasado, atabalhoado, sem entender nada. Eu digo porque participei das mesas de negociação em 2023. Em 2025, com Boulos ministro, o entendimento se aprofundou, e - com uma distância ENORME do que a gente realmente precisa - estamos no momento de maior aproximação com a categoria. Nossa entrada no Palácio do Planalto foi franqueada e o diálogo é firme: com um monte de problemas, mas com boa vontade das partes. Qualquer eleito que não seja Lula retorna o diálogo à estaca zero, o que seria uma tragédia.
Minha vida partidária é uma bagunça, sou formalmente filiado ao PDT, estive ativo durante as campanhas de Ciro à Presidência, para quem foi meus votos e minha militância. Sigo acreditando que o caminho para o país é a industrialização, educação, trabalho digno e soberania, inclusive digital. Sigo desacreditado que um quarto mandato de Lula nos trará isso. Mas temos algum candidato que propõe essas pautas de forma estruturada, com um planejamento de médio e longo prazo? Não. Lula ainda faz uns ensaios tímidos nessa seara, embora insuficientes.
Agora, é inegável que a eleição de Flávio nos jogaria pra fora de qualquer debate nesse sentido. Pelo contrário: estaríamos entregando nosso país aos EUA, de forma humilhante. Flávio é um sabujo do sionismo, e não faz a menor questão de esconder isso.
Então, respeito e compreendo quem se indigna com o PT e com Lula. Mas o exercício político precisa ser frio, inteligente. O jogo aqui é de contenção e nada mais. Se fosse uma partida de futebol, seríamos a Botafogo contra o PSG - é botar o time debaixo da trave pra não levar um vareio e QUEM SABE achar uma bola vadia. Somos nós contra o mal que se abate sobre o MUNDO, esse estertor provocado por Trump e Netanyahu, e que nos atinge na figura de Bolsonaro.
Por último, que um pouquinho de esperança não faz mal à ninguém: quem sabe Lula não queira fazer desse quarto mandato aquele que determinará sua biografia? A última impressão é a que fica pro que estamos tratando aqui. Eu pude me encontrar quatro vezes com o presidente este ano. Fiquei impressionado: na televisão, ele parece um velhinho frágil. Pessoalmente, é forte - fisicamente, mesmo. Você toma um susto. E muito lúcido, interessado, gosta de ouvir e encaminhar soluções. A minha impressão é de que ele quer jogo.
São essas reflexões que me levam ao voto e militância pelo voto em Lula, 13, no próximo dia 4. E vou disputar isso com meus parceiros de caminhada, os entregadores.
Eu sou Nicolas, motoboy, diretor jurídico da Associação dos Motoboys de JF, integrante da Aliança Nacional dos Entregadores por Aplicativos e um dos coordenadores do Breque dos Apps de 2025.