Faleceu hoje à tarde Henrique Elfes, grande amigo e irmão. Aproveito, então, para dizer algumas palavras que ele não permitiria que eu dissesse em vida.
Henrique esteve presente em todos os momentos mais importantes da minha vida adulta, com sua presença discretamente contagiante, inteligência aguda, ironia fina, sabedoria abissal e, sobretudo, bondade incomensurável.
Para mim, o HE (como costumava chamá-lo) foi um exemplo em tudo; sem ele, certamente não teria tomado muitas decisões que me tornaram quem sou hoje. Nele, que por anos a fio padeceu inúmeras dores físicas e morais, eu via o rosto de Cristo dolente e, ao mesmo tempo, luminoso: a glória, a loucura e a sabedoria da Cruz.
Do ponto de vista filosófico, Henrique Elfes foi o homem mais brilhante que já conheci, que em tudo rivalizava com os grandes da história, por sinal. Como um Sócrates teuto-brasileiro, ele não escreveu em papel e tinta, mas sim na alma de seus afortunados discípulos. Eu, por imerecido golpe da graça, posso dizer que não há uma única ideia minha que não tenha passado antes, de algum modo, por nossas intermináveis conversas.
Na última vez em que nos falamos, quando a doença já o havia debilitado bastante, o assunto central foi a Beleza; o HE me explicava, empolgado e comovido, que ele havia descoberto que toda a esperança e felicidade humana encontravam aí seu sentido e cumprimento. "No hospital me descobri kantiano", ele dizia, "mas agora só a Beleza importa".
Peço que todos rezem pela alma do Henrique, na certeza de que agora ele está bem melhor do que nós, pois já não vê a Verdade sob as "sombras e imagens" deste mundo.
Que eterna seja sua memória, meu amigo!