O Missão aplica uma lógica meio NRx internamente, na própria organização/partido, que é o que chamou a atenção do Moldbug, mas politicamente tira disso uma conclusão quase oposta.
Parte importante da herança de Moldbug e Land foi convencer justamente quem já tinha uma inclinação antidemocrática e anti-igualitária de que a elite dirigente existente é, em larga medida, uma classe de pessoas excepcionalmente capazes, inteligentes e competentes, selecionadas naturalmente e históricamente para ocupar o topo. Daí vem também a insistência em tratar essas elites com admiração, em vez de enxergá-las como algo a ser enfrentado. Heil Trumpsattva.
O próprio Moldbug descreve a ordem vigente como uma “oligarquia meritocrática” e se refere à classe governante como os “Brahmins”. Na sua leitura, a formação acadêmica, o prestígio intelectual e o desempenho educacional são elementos centrais na seleção dessa elite.
Levado às últimas consequências, esse argumento produz uma conclusão bastante óbvia para qualquer pessoa ambiciosa ou intelectualmente inclinada que o aceite: a elite que já venceu o processo de seleção deve ser respeitada, e a estratégia sensata seria tentar conquistá-la ou influenciá-la, não simplesmente se colocar contra ela.
Já politicamente, o Missão é muito mais próximo de ideias de rupturas incisivas.
Por isso acho meio estranho tentar associar o Missão a uma espécie de NRx brasileira. Há influências e vocabulários em comum, como com toda a direita secular, mas a direção política é bastante diferente.
No fundo, é uma versão quase teleológica da meritocracia: os melhores deveriam ocupar o topo porque são os melhores; só falta explicar por que os que estão no topo, na prática, quase nunca parecem ser esses “melhores”. De certa forma, uma síntese não ironica entre NRx e os Mikkagroypers só poderia sair do Brasil mesmo.