950 agentes, 21 horas, 210 milhões de tokens. Mais de 200 mil enzimas no início e uma no fim.
Na quarta-feira a Anthropic anunciou que o Claude encontrou um sistema enzimático desconhecido no ADN de bacteriófagos: uma transcritase reversa, um gene parceiro e, ao lado, uma sequência longa de repetições espaçadas que faz lembrar um array CRISPR. Chamaram-lhe "array-associated reverse transcriptases". A própria Anthropic diz que ainda não sabe o que o sistema faz. Há um preprint, sem revisão por pares, e uma equipa de Stanford descreveu de forma independente um sistema parecido, com origem evolutiva distinta.
O funil: mais de 200 mil transcritases reversas rastreadas, 3.500 candidatas novas, 20 analisadas, 1 levada para a bancada. Nas palavras deles: "o nosso envolvimento limitou-se ao prompt inicial e ao trabalho de laboratório, enquanto os agentes do Claude vasculhavam a base de dados."
A descoberta em si fica à espera da revisão por pares. A forma como o trabalho foi feito já se conhece e já funciona: centenas de agentes percorrem a base de dados inteira, o código e os agentes reduzem os 200 mil candidatos a uma lista curta, e uma pessoa escolhe qual dos 20 vai para o laboratório. É o mesmo desenho dos meus agentes, noutra escala. Duas semanas antes, a OpenAI tinha posto cerca de 10 mil agentes durante 88 horas em cima de Navier-Stokes, com a mesma forma.
Para a ciência, isto é mais um passo que mostra que a maneira de investigar já está a mudar. A Anthropic estima que estas 21 horas substituíram semanas a meses de trabalho de especialistas, e a parte que ficou para os humanos foi a que interessa: decidir o que vale a pena testar e testar. Dario Amodei: "no mínimo, é trabalho de que eu teria orgulho em ter feito enquanto aluno de doutoramento."
Estamos a viver no futuro, só que ainda não percebos isso 😅