Gilson, pelo que fizeram com o Novo eu deveria te achar um babaca, mas você e a Adriana fazem um bom trabalho, principalmente você na CCJ no primeiro mandato, evitando vários projetos horrorosos. Vocês são low profile, não aparecem em polêmica boba e desnecessária. Uma resposta imbecil dessas eu esperaria do Marcel van Hattem, que é eloquente mas extremamente improdutivo. De você, não.
Vamos aos pontos:
1. Você já é adulto, provavelmente mais velho que eu (tenho 42) e deve ter filhos. Já está na hora de amadurecer e parar com esses slogans bobos e ingênuos de “imposto é roubo”, que ganharam força entre 2010 e 2015. Só adultolescentes repetem isto. Estamos quase em 2027. Slogan não é critério de voto.
2. Citar o Aécio entre os 4 contrários é fácil. Só não citou que um dos outros é o Kim Patroca Kataguiri, o melhor deputado das últimas décadas. Eu poderia listar quem votou com você nos 461: PT, PSOL, boa parte dos corruptos do centrão. Não é argumento, então fico por aqui.
3. O MEI paga cerca de R$ 80 por mês. Quem está no Simples paga de 4% a mais de 15% do faturamento, e ainda tem contador, pró-labore, INSS e IR na pessoa física. Entre os inscritos em dívida ativa, a dívida média era de uns R$ 3,5 mil, ou seja, mais de um ano sem pagar R$ 80. E o texto aprovado foi além: o perdão passou a R$ 15,6 bi e inclui dívida que nem foi inscrita e até a que já está parcelada. Quem estava pagando o parcelamento tem o resto perdoado, e quem pagou em dia não ganha nada. O governo anunciou isso 12 dias antes do segundo turno.
Eu sei que 86% das dívidas inscritas são consideradas irrecuperáveis. Mas sobram quase R$ 2 bi recuperáveis só nesse estoque, fora uns R$ 2,7 bi que o texto acrescentou e que nem entraram nessa classificação. Com um projeto de renegociação, talvez parte do “irrecuperável” também fosse recuperada (a PGFN já oferece até 70% de desconto em juros e multas). Além disso, a mensagem de cobrar importa: se começar a dar benesse a cada X anos em véspera de eleição, ninguém mais paga imposto.
4. O aumento do teto é o único argumento razoável, mas deveria ser projeto separado, como era a ideia inicial. O governo juntou os dois para conseguir aprovar.
5. “Na política você vota o que está na pauta”: você está certo, mas isso não tem nada a ver com a minha crítica. Você pode votar contra. Pelo seu argumento, devo assumir que você sempre vai votar “sim”?
Por isso reitero o que escrevi: o Novo acabou. Entendo que o Novo do início era ingênuo e precisava evoluir em alguns pontos, mas o de hoje evoluiu tanto em direção ao pragmatismo que virou um partido igual a qualquer outro. Encheu os quadros de gente incompetente (os 4 federais que elegeu no Paraná, em boa parte, mais parecem influenciadores evangélicos misturando política com religião do que políticos), e:
– Usa fundo partidário para pagar salário de dirigente. O Deltan recebeu R$ 837 mil em dois anos como “embaixador” do partido e, desde 2025, via empresa dele e da família (R$ 382 mil de fundo partidário só em 2025). Mas imposto não era roubo?
– O Salles foi expulso pelo Novo, que falou em risco de dano grave à imagem do partido, e depois foi reintegrado. Recebeu mais de R$ 3 milhões do fundão, gastou quase isso e desistiu do Senado seis dias antes da eleição para apoiar candidato do PP e do PL. Imposto não era roubo?
– A campanha do Zema recebeu R$ 4 milhões de dinheiro público, de quem era contra isso, e chegou ao primeiro turno com 1% nas pesquisas. Faltou ao debate da Band, o momento mais esperado por qualquer candidato, dirigente e militante.
– Zema brigou com os diretórios de SC e PR, que eram contra ele. Depois autorizou os candidatos do próprio partido a apoiar outro candidato. Candidato à Presidência autorizando apoio a outro? E houve especulação de que ele anunciaria apoio ao Flávio no meio do debate da Globo, que acabou não acontecendo.
– Coligações com o centrão e com partidos “estranhos” desde 2024. Na eleição passada apareceram até uns prints de coligações com PT e cia., que não sei se são verdadeiros.
O Novo, aquele de 2016, acabou. Virou um partido igual aos outros. Inclusive, deveria mudar de nome.
Primeiramente, imposto é roubo.
Em segundo lugar, esse é o erro de quem acha que na política você vota o que você quer. Você vota o que está na pauta.
A alternativa a votar contra perdoar “dívidas tributárias" de MEls era impedir qualquer atualização da faixa de faturamento. Eu apresentei emendas para melhorar o projeto mas elas não votam acatadas, você pode conferir em meu perfil.
O trabalho parlamentar é esse, tentar melhorar as propostas, e se não for possível, votar vendo prós e contras.
Eu prefiro deixar o MEl faturar 140 mil e ter 2 funcionários, discutindo o resto depois, do que mantê-lo preso na absurda faixa de 81 mil anual desde 2018. Aécio Neves e mais alguns deputados acharam que não.
Abraços.