No mesmo dia em que veio a público um pedido da Polícia Federal para investigar Flávio Bolsonaro, distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, Lula ameaçou o adversário durante o debate da Band, neste domingo, 18 de outubro, com declarações sobre possíveis consequências judiciais.
A representação da PF, encaminhada anteriormente ao Supremo Tribunal Federal, envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e conexões com investigados no escândalo do INSS. O pedido foi distribuído por sorteio a Moraes, que deverá decidir sobre a abertura do inquérito.
Em entrevista à CNN Brasil, Roberta Luchsinger, investigada no caso do INSS, afirmou que pretende negociar uma delação premiada envolvendo Lulinha e acusou Lula de utilizar o aparato estatal contra ela. Declarou ainda que responsabilizará o presidente caso algo aconteça consigo ou com suas duas filhas.
Paralelamente, no caso Banco Master, envolvendo Daniel Vorcaro, há também alegações do próprio Vorcaro de que tentativas de colaboração premiada teriam sido barradas quando surgiram referências a Lula.
A divulgação de uma possível investigação contra um candidato presidencial às vésperas do segundo turno, somada às declarações tendenciosas de Lula - seu adversário político e atual presidente da República - durante um debate nacional, levanta questionamentos sobre o risco de decisões judiciais de caráter persecutório na reta final da disputa.
O momento exige vigilância máxima e transparência absoluta. É inadmissível qualquer tentativa de instrumentalizar instituições da República para perseguir adversários, interferir na vontade popular ou retirar da disputa, pela via judicial, um candidato da oposição às vésperas da eleição.