A todos vcs que esperam pelo colapso do USD, entendam que o USD é um crédito, uma promissória assinada pelo Federal Reserve, cuja garantia é outra promissória, assinada pelo Tesouro dos EUA.
Sendo assim, a dívida dos EUA é a principal garantia hje para e emissão de mais créditos em dólar, principalmente através das operações de repo (taxa SOFR). Além disso, outros créditos em dólar existem, lastreados em outros ativos.
Enquanto houverem credores e tomadores que aceitem abrir contratos de dívida/crédito em USD, mediante boas garantias, na quantidade suficiente para pelo menos pagar os juros dos créditos já existentes, não haverá colapso do dólar. O tão falado debasement trade precisa de mais e mais contratos de crédito em dólar (mais funding em dolar/mais short dólares) para ser sustentável. Quem aposta no debasement está apostando nisso, apostando que o dólar seguirá tendo oferta via emissão de créditos cada vez maior, sem limite. Logo, apostar no debasement não é apostar no fim do dólar, e sim na sua continuidade como moeda global de funding e transações.
Ironicamente, eh a diminuição ou cessação da oferta de novos créditos, ou a não capacidade de seguir devendo, tendo como consequência uma redução dos créditos em aberto, via liquidação, pré-pagamento, moratória, que poderia trazer à tona o real debate sobre o fim do dólar. Nesse cenário, há uma subida generalizada nos juros (principalmente no componente spread de crédito).
Pois esse cenário representa uma busca maior por liquidez/caixa, em troca de quaisquer ativos, financeiros ou não, que podem ser trocados por caixa, uma busca muitas vezes maior do que a capacidade de "imprimir" novos créditos em dólar.
Um evento desse tipo, uma desalavancagem de enormes proporções, é o que de fato permitiria ao mundo efetivamente reduzir sua dependência do dólar.