Em 1930 Getúlio chega ao poder acabando com a Primeira República ou, como os getulistas gostavam de chamar, A República Velha. Este movimento, que ficou conhecido como Revolução de 1930, foi muito importante e, na prática, inaugurou o processo de modernização do Brasil, de introdução do nosso país no “tempo do mundo”, como o pessoal costuma dizer.
Quem foram os derrotados de 1930? Grupos oligárquicos de todo o Brasil que governavam sob a hegemonia da oligarquia de São Paulo. Aqueles eram os grandes escravocratas do país. Como dizia o historiador Sérgio Buarque de Holanda, a República era o Império dos Fazendeiros. Uma pequena casta de grandes proprietários de terra que queria que o Brasil continuasse a ser um fazendão exportador no qual o povo não tinha direito nenhum.
Em 1932 esta oligarquia paulista, que tinha perdido o poder, levantou São Paulo contra o governo Getúlio Vargas. A reivindicação, a bandeira que foi colocada à frente desta guerra civil de paulistas contra o governo era, em tese, justa: Uma constituição. Por isso, muita gente boa, decente, do povo, aderiu à revolta e lutou ao lado desses oligarcas. Essa turma, claro, merece todo o nosso respeito.
Mas o que estava por trás da batalha era uma tentativa de fazer o carro da história andar para trás, ou seja, de fazer o Brasil voltar aos tempos da Velha República, ao predomínio absoluto dos paulistas que tinham um projeto arcaico para o país.
É bem mais grave do que isso, na verdade. À frente dos paulistas estava uma turma tremendamente racista. Gente que construiu toda uma narrativa de que os paulistas não poderiam ser governados por gente de outros estados porque eram superiores.
Vou pegar só um exemplo, Ibrahim Nobre, considerado o Tribuno da Revolução de 32. Ele dizia coisas como estas aqui, trazidas num livro da professora Barbara Weinstein. Cito a professora:
Novamente é o tribuno de 1932, Ibrahim Nobre, que na sua brutal sinceridade explicita a intensidade do racismo então presente. Em 1933, “o tribuno de 1932” declarou que se devia fazer em São Paulo como na Alemanha, onde Hitler instalava uma “profilaxia antijudaica”, mas que em São Paulo deveriam ser eliminados os elementos que “joanalbertisaram” o sangue paulista (Weinstein, 2015, p. 94).
Tá bom para vocês? Essa é só uma pequena amostra.
Mas que diabos é o “Joanalbertizaram” que está na frase do sujeito? Ele está se referindo a João Alberto, o interventor de Getúlio em São Paulo. Qual o problema de João Alberto? É que ele era paraibano. Como assim, um paraibano, um homem racialmente inferior, vai mandar nos arianos paulistas? Deu para sacar?👇🏿