Poucas coisas são tão abjetas numa transmissão esportiva quanto presenciar comentaristas rindo, dançando e comemorando diante da derrota de um time, como ocorreu após a do Fluminense. É um espetáculo constrangedor. Enquanto adultos absorviam a frustração em silêncio e, sobretudo, crianças choravam, muitas delas enxugando as lágrimas na camisa do clube, profissionais que deveriam manter alguma sobriedade exibiam uma felicidade quase sarcástica.
“É apenas futebol”, dizem. Mas não é tão simples assim. Futebol move paixões, constrói identidades, cria sonhos. O mínimo que se espera de quem trabalha com comunicação esportiva é respeito pelo torcedor que, em seu momento de dor, merece empatia, não escárnio.
O comportamento desses comentaristas não foi apenas de mau gosto, foi antiprofissional. O jornalista esportivo não está ali para vibrar com a desgraça alheia, mas para analisar, informar e, sobretudo, respeitar quem está do outro lado da tela. A dor do torcedor, ainda que “seja só futebol”, é legítima. Desprezar isso, além de lamentável, é uma falha ética grave.
Fica o alerta: emoção no esporte é maravilhosa, mas empatia também deveria fazer parte do jogo.