“El ejemplo que él da es claro: la ley vale para los otros”
Vou falar como criminalista, e sem rodeio: a responsabilidade pelo que aconteceu hoje é de Flávio Bolsonaro. De mais ninguém.
Não foi uma suposta perseguição que o colocou num avião rumo aos EUA. Foi uma escolha.
O STF mandou entregar o passaporte em 24 horas. Uma ordem simples, a mais branda das medidas cautelares. Ele não entregou. Saiu do país dois dias depois de perder a eleição, levando a família, sem avisar nem os próprios aliados.
Quem passou anos falando em lei e ordem, em respeito às instituições, em "bandido tem que pagar", na primeira ordem judicial dirigida a ele, virou as costas.
E é bom lembrar: o próprio irmão anunciou publicamente que ele deveria sair do país se perdesse. Não foi impulso. Foi um plano anunciado.
Eu defendo réus há anos. Sei o que é presunção de inocência e defendo esse princípio até o fim. Mas presunção de inocência se exerce dentro do processo, com defesa técnica, enfrentando a acusação. Quem confia na própria inocência fica e prova. Quem foge troca o tribunal pelo discurso.
E tem o peso do cargo. Um senador da República, que ainda recebe do contribuinte, que pediu o voto de milhões de brasileiros pra presidir o país, não pode tratar uma decisão judicial como sugestão. O exemplo que ele dá é claro: a lei vale pros outros.
Se havia algum excesso na decisão, o caminho existia: recurso, habeas corpus, imprensa, tribuna do Senado. Ele tinha tudo isso. Escolheu a fronteira.
O processo não acaba com a fuga. Só espera. E cada dia fora do país é mais um argumento que ele mesmo entrega contra si.
Fugir de responder a um possível processo criminal diz muito sobre quem foge.