✯💣🏳️🌈☭ Foi uma chatice do c@ralho. Horas a deliberar sobre a resistência e bastaram 5 minutos de contacto com a realidade para a revolução descobrir as extraordinárias vantagens da retirada estratégica.
Os "herdeiros" de Lenine, que prometiam enfrentar a repressão fãncista de peito aberto, dispostos a apanhar nos c@rnos para defender as tendas, dispersaram pelas ruas da baixa a uma velocidade que faria inveja ao corropio de uma Black Friday na abertura da Media market. Num ápice o Rossio estava limpo.
Houve detenções e feridos, alguns camaradas embriagados, outros pedrados de "fervor revolucionário" que ainda estavam à espera de uma votação para decidir se podiam fugir. Mas, ultrapassada esta extraordinária demonstração de valentia revolucionária, importa olhar mais a sério para isto.
Sim, é isso mesmo, passo por cima do episódio ridículo do deputado Figueiredo, não me merece comentário algum, a não ser o de confirmar que além de troll das redes sociais é também um troll das ruas.
⚠️Vamos lá olhar para isto com olhos de ver. Não tenhamos ilusão. Este fenómeno político que merece mais atenção. Não a mediática, essa é aliada, mas a da ameaça que representa. É. Esta capacidade de uma certa militância radical para estar em todas as manifestações, de todas as causas, em todos os momentos. Hoje é a habitação. Ontem foi a palestina. Antes eram os combustíveis fósseis. Amanhã serão os salários, o racismo, o patriarcado, os LGBTetc ou uma qualquer injustiça climática cometida contra as minhocas ribatejanas. Muda a bandeira, muda o cartaz, muda a indignação. O núcleo ideológico permanece notavelmente familiar. São sempre os mesmos cromos. SEMPRE!
Chamam-lhe interseccionalidade. Um conceito muito sofisticado para explicar que todas as desgraças do universo estão relacionadas e, por uma coincidência estatística absolutamente assombrosa, têm sempre o mesmo culpado, o capitalismo e a sociedade ocidental.
A causa é o produto da semana, o pretexto; a revolução é o negócio principal, tenhamos bem presente isso.
⚠️E aqui convém distinguir as coisas. A crise da habitação existe. Há problemas reais com os salários, com o custo de vida e com inúmeras injustiças pelo mundo fora. Há milhares de pessoas que se manifestam de boa-fé, com reivindicações legítimas. Mas há também uma militância ideológica para quem essas causas são sobretudo instrumentos de combate político. O objetivo não é propriamente resolver o problema. É alimentar a convicção de que o sistema inteiro tem de ser desmantelado.
Aliás, há quem o diga abertamente. Não querem corrigir o capitalismo, querem acabar com ele. Não querem aperfeiçoar as instituições, querem substituí-las por esse maravilhoso e indefinido poder popular que, curiosamente, costuma começar com assembleias onde todos podem falar e acabar matematicamente com regimes onde ninguém pode discordar.
A habitação, neste contexto, é apenas um excelente pretexto. Porque ninguém no seu perfeito juízo é contra o direito a uma habitação digna. Tal como ninguém é contra salários mais altos. Mas é a legitimidade moral que torna estas causas tão apetecíveis para quem tem uma agenda política muito diferente daquela que apresenta na montra.
isto é uma especialidade da extrema-esquerda: embrulhar a revolução numa causa humanitária, colocar-lhe um laçarote de direitos fundamentais e esperar que ninguém tenha o mau gosto de perguntar pelo conteúdo dentro da embalagem.
E reparem lá na contradição deliciosa. Esta gente invoca permanentemente a Constituição, os direitos, as liberdades e a democracia. Mas, mal uma decisão legítima das autoridades contraria uma deliberação da sua assembleia popular, a autoridade democrática transforma-se imediatamente em facha. para estes bárbaros, a democracia só é democracia quando o resultado coincide com aquilo que os camaradas acabaram de votar sentados no chão.
A praça é pública, logo pertence-lhes. A lei é democrática, logo pode ser ignorada. A polícia serve os cidadãos, logo tem de obedecer aos manifestantes. É uma conceção especial do Estado de direito: os direitos são todos deles, os deveres são sempre dos outros, nossos, o que inclui também a fatura a pagar sempre que é necessário abrir os cordões à bolsa.
➡️➡️Aqui a brincadeira deixa de ter graça.
Uma democracia deve proteger intransigentemente o direito à manifestação. Mas não tem qualquer obrigação de tolerar que esse direito seja transformado num salvo-conduto para a ocupação permanente do espaço público ou para o desafio sistemático à autoridade legítima. Muito menos de aceitar que pequenos grupos se arroguem o monopólio da vontade popular, como se uma assembleia de campistas pudesse revogar as leis de um país.
O mal corta-se pela raiz com a aplicação da lei, com firmeza, proporcionalidade e sem complexos. Não se combate o radicalismo proibindo ideias ou distribuindo bastonadas indiscriminadamente. Combate-se impedindo que a desobediência se converta num privilégio político e que o Estado de direito fique refém de quem mais alto grita.
E foi exatamente isso que a PSP fez ontem.
Obrigado
@PSP_Portugal, algum excesso de paciência e contemplação, mas percebo. Para que a atuação fosse limpa, era preciso. Parabéns, foi sem mácula.
Camaradas de caminhada, esta noite eram relativamente poucos, uns c@nas com cravos, tendas e alguma voz sem corresponência nos atos, felizmente. Mas não serão sempre tão poucos. E, sobretudo, não serão sempre tão c@nas.
As democracias raramente se perdem quando aparecem os primeiros inimigos declarados. Perdem-se sim quando deixamos de levar a sério aqueles que fazem da sua destruição um projeto político. Sabemos quem são, nem 1 milímetro.
Tenho dito. Bom domingo.
o dono da cooperativa
Nota 1: quem é a idosa chalupa armada em Salgueiro Maia?
Nota 2: o chanfras que abriu o telejornal da TVi está ali, na 1º fila dos bárbaros-
Nota 3: quando a PSP avançou, onde estava o Fabian e os restantes líderes deste movimento? Ah, cobardolas.