O metro de Gaza
Isto é o que a imprensa não vos explica sobre polémica ida da comitiva portuguesa ao túnel do Hamas em Gaza.
O Hamas chegou ao poder após vencer as eleições legislativas em Janeiro de 2006. Em Junho de 2007, num golpe violento, tomou o controlo total da Faixa de Gaza à força, expulsando a Autoridade Palestiniana (Fatah). Nos confrontos entre as duas facções de 2006-2007 morreram mais de 600 palestinianos, só na ofensiva final de Junho as estimativas apontam para cerca de 160 mortos, a maioria da Autoridade Palestiniana e Fatah, com execuções sumárias e actos de brutalidade documentados.
Ao longo das décadas seguintes, o Hamas recebeu centenas de milhões de dólares anuais, sobretudo do Irão (estimativas de 70 a 100 milhões por ano) e do Qatar (centenas de milhões no total, incluindo transferências mensais de dezenas de milhões, muitas vezes em dinheiro vivo). A ajuda do ocidente — União Europeia e Estados-membros (centenas de milhões de euros por ano aos palestinianos via UNRWA e outros canais), EUA e outros — destinada a Gaza, foi em grande parte desviada ou taxada pelo Hamas para fins militares, incluindo a construção dos túneis (há alegações de mais de mil milhões desviados só da UNRWA).
A rede de túneis — o chamado ‘metro de Gaza’ — atingiu os 800 km, com milhares de acessos, sob um território de apenas de 365 km². Foi construída ao longo de 15 anos com recursos prioritários, betão e ferro, para ataques, armazenamento de armas, movimento de terroristas e retenção de reféns. O número de reféns israelitas retidos pelo Hamas nos túneis fala por si — no ataque de 7 de Outubro, cerca de 251 pessoas foram raptadas e levadas para Gaza, a maior parte permaneceu nos túneis. Gilad Shalit, soldado israelita, foi libertado em 2011 após cinco anos em cativeiro nos túneis. Os túneis também albergaram vários corpos de soldados israelitas mortos desde 2014-2015 que foram finalmente resgatados.
O túnel visitado pela comitiva situa-se debaixo de casas de comandantes do Hamas e é bastante sofisticado com sistema de reserva de água, luz, casas de banho com chuveiros e quartos. A par dos túneis, na Faixa de Gaza a doutrinação e propaganda começa com livros como os mostrados na filmagem que se encontram por todo o território.
Estes túneis não são infraestruturas civis — são a espinha dorsal de um projeto de terror financiado com recursos que deveriam servir os palestinianos em Gaza mas acabam usados a salvar terroristas e a reter reféns enquanto a população à superfície paga o preço da guerra.
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Video de Paulo Viegas.