Está decidido. O Conselho Superior do Ministério Público Federal formou maioria nesta sexta-feira, 25 de setembro, para não abrir investigação sobre Paulo Gonet e também manteve o procurador-geral da República atuando nos processos do Banco Master. O procedimento havia sido aberto justamente para saber se as referências a Gonet encontradas pela Polícia Federal justificavam uma apuração independente; a maioria entendeu que não.
No celular de Daniel Vorcaro, a PF encontrou Gonet sentado ao lado do banqueiro em Londres, fumando charuto, com uísque à mesa. A própria PGR confirmou o encontro, há ainda mensagens em que o advogado Ciro Soares aparece intermediando contatos entre os dois. Em março de 2025, Soares enviou uma fotografia ao banqueiro e escreveu que Gonet queria falar com ele; depois disso, os registros mostram chamadas telefônicas, incluindo uma de 3 minutos e 49 segundos.
Gonet nega amizade ou proximidade com Vorcaro e sustenta que o encontro foi coletivo e que a ligação foi “brevíssima e banal”. O relator Francisco Sanseverino acolheu a tese de que o material não contém elementos mínimos para justificar uma investigação.
Mas atenção ao que aconteceu hoje; Gonet não foi investigado e depois inocentado, a maioria decidiu que, diante desse material, não deveria sequer ser aberta uma apuração independente sobre sua conduta.
Quando surgem fotografias, mensagens, ligações e referências envolvendo quem ocupa o topo das instituições, o mínimo esperado seria investigação capaz de esclarecer os fatos, inclusive para absolver quem nada fez, mas o que vemos é uma blindagem institucional.
Quem investiga os investigadores quando os próprios investigadores aparecem dentro da história? Hoje, o Conselho do MPF deu sua resposta: Gonet permanece no caso, e a investigação sobre ele não avança, mas pode avançar contra aqueles que incomodarem o sistema.
E segue o jogo…