𓆓 𓆗 𓆙 𓆚 Camaradas, é mais fácil perceber umas linhas de python do que um qualquer texto do Saramago.
É que o python, pelo menos, tem vírgulas, ( ), pontos finais quando fazem falta e não obriga um homem a atravessar três páginas à procura do verbo que saiu para comprar tabaco em mil novecentos e tal e nunca mais deu sinal de vida.
Descobrimos agora, graças à Ferreira Alves, que dizer "python script" é entrar numa espécie de maçonaria digital.
👳♀️:"se eu disser python script, ninguém sabe o que é."
Ninguém naquela mesa. Acredito. São todos intelectuais de goela e muito ar.
Há uma cena que eu aprecio no python. Se fizermos m@rda, ele diz-nos. Não avalia o nosso cv, não quer saber se escrevemos no Expresso, se frequentámos as ruelas de Paris, se conhecemos o último ensaio francês sobre a desconstrução pós-colonial. Não. nada disso, dá erro e pronto. SyntaxError.
É também por isso que python nunca teria grande futuro em certos meios intelectuais portugueses. É demasiado desagradável. Imaginem lá aplicar isto no Eixo do mal.
👳♀️"Esta tecnologia funciona através de umas linguagens dinâmicas que entram nas plataformas…"
Levava logo com um singelo SyntaxError: invalid syntax.
👳♀️:" Os python scripts são uma coisa que ninguém percebe."
👩🦲:"Mas eu tenho uma opinião fundamentada em factos e estatística sobre a imigração"
ValueError: knowledge must be greater than zero.
Estou convencido que não saíamos disto. o Eixo do mal acabava nos 15 minutos de emissão.
⚠️O problema, evidentemente, não é a Ferreira Alves não faz puto ideia do que é python. Mas quis fazer parecer que sabia, que tinha estudado umas cenas e que se ela quisesse podia trabalhar na Anthropic com o Amodei e ajudar nisto do fim do mundo com agentes de IA, que como todos sabem, vieram substituir os da CIA e KGB com o fim da guerra fria.
É vício antigo da nossa aristocracia pseudo-intelectual. Durante décadas bastava dominar meia dúzia de palavras suficientemente compridas. Ele era o paradigma, a dialética ou a hermenêutica. Podíamos ir até ao pós-estruturalismo, vá. O povo ouvia um epistemologia cagado algures numa frase e recuava imediatamente para a taberna, convencidoda sua propria ignorância e daí, a sua natural inferioridade intelectual.
A tecnologia estragou um bocadinho o negócio desta gente, talvez por isso andem tão abespinhados.
Este era o verdadeiro source code da elite opinativa tuga. Não precisa de python. Corre diretamente em televisão nacional com amplo tempo de antena e tem uma arquitetura bastante simples, fácil de perceber e em python:
try:
falar_sobre_assunto()
except NaoFacoPutoIdeia:
falar_com_mais_conviccao()
Camaradas, o coitado do python não tem culpa nenhuma nisto. É uma linguagem criada para ser relativamente simples de ler. Tem variáveis, funções, ciclos e classes. Uma classe, por exemplo, em python, serve para organizar objetos, atributos e comportamentos.
Nas nossas elites também há classes. Só que essas organizam pessoas.
⚠️Há a classe que sabe; a classe que não sabe; e depois há uma classe muito especial, tipicamente portuguesa, que não sabe, não sabe que não sabe e ainda acha pedagogicamente necessário explicar aos outros porque é que eles também não sabem. A Ferreira Alves é desta última classe.
Fico-me por aqui. A todos, tomem lá este apocalíptico scrip de python
print("Bom domingo").
o dono da cooperativa