Biopower: contratos públicos e uma coincidência de ligações políticas e académicas.
A Biopower, Lda., sediada em Vendas Novas, acumulou 15 contratos públicos no valor aproximado de 1,6 milhões de euros, com uma concentração relevante na região de Coimbra: Metro Mondego, Universidade de Coimbra, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Município de Soure e Município de Montemor-o-Velho.
Só em 2026 foram identificados cerca de 999 mil euros, incluindo 423.786 euros em cinco contratos com a Metro Mondego e 575.254 euros num ajuste direto com o Município de Soure.
É na estrutura da Diptéro, Lda., empresa hoje detida em 96,67% pela Biopower, que aparece a coincidência mais interessante.
O histórico societário mostra Filipe Rosa como sócio-gerente da Diptéro entre 2010 e janeiro de 2026 e Sérgio Seco ligado à sociedade desde a sua constituição.
Cláudia Filipe, também ligada à Biopower, é gerente da Diptéro desde 2021.
Os dois primeiros nomes têm percursos políticos em Miranda do Corvo.
A própria Câmara Municipal identifica atualmente Filipe Rosa como vereador, cargo que retomou em novembro de 2025, referindo ainda que já tinha sido secretário da Junta, membro da Assembleia de Freguesia e vereador.
Mais curioso: a biografia oficial diz expressamente que desempenhou funções profissionais na Biopower e regista também ligações à Universidade de Coimbra e à Associação Académica de Coimbra.
Sérgio Sêco foi igualmente vereador da Câmara de Miranda do Corvo entre 2002 e 2013.
O seu currículo CiênciaVitae mostra depois uma longa ligação à Universidade de Coimbra, incluindo como investigador contratado entre 2017 e fevereiro de 2025.
E é aqui que a coincidência merece atenção: temos dois nomes com percurso autárquico em Miranda do Corvo, ambos ligados à sociedade que a Biopower passou a controlar, e ligações relevantes ao universo da Universidade de Coimbra, ao mesmo tempo que a Biopower obtém contratos da própria Universidade, da ESE Coimbra e de outras entidades públicas da região. 🤔